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Foi o boho, uma estética da qual desgosta, o ponto de partida da nova coleção de Alexandre Herchcovitch, que abriu o SPFW nesta terça. Alexandre tem mais de 30 anos de carreira na moda e, feito raro mesmo lá fora, suas coleções seguem sendo das mais relevantes que vemos a cada temporada. Parte desse segredo vem justamente de ele jamais se acomodar – como aqui, partindo de um tema que o tirava da zona de conforto.
Como então trabalhar o tópico de uma maneira que fizesse sentido para ele? Ao trazer para o boho alguns de seus códigos favoritos. Estão lá o fetichismo e a sensualidade, presentes nas roupas de couro, nas calcinhas fio-dental e nas lingeries e transparências que brincam de esconder e revelar. Estão também as roupas vitorianas e góticas dos séculos 18 e 19, referenciadas nas silhuetas com ancas marcadas, nas crinolinas reimaginadas, nos corsets e nas golas rufo.
O talento de Alexandre está justamente em costurar referências dos mais diferentes universos, confrontar coisas de que não gosta e usar uma pitada de deboche ao trazer elementos que, à primeira vista, seriam muito óbvios. Afinal, aqui nada é tão simples quanto parece.
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